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Registro de autoridade

Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (Uremg)

  • Entidade coletiva

A transformação da Escola (Esav) em Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (Uremg) ocorreu em 13 de novembro de 1948, pela Lei Estadual nº 272. Essa nova estrutura de Universidade Rural tinha em sua composição a Escola Superior de Agricultura, a Escola Superior de Veterinária, a Escola Superior de Ciências Domésticas, a Escola de Especialização, o Serviço de Experimentação e Pesquisa e o Serviço de Extensão.
Entre as características que marcaram a Uremg, destaca-se o seu pioneirismo com a criação da primeira Escola Superior de Ciências Domésticas do Brasil que, em 1954, deu início às atividades pedagógicas do Curso Superior de Ciências Domésticas, diplomando economistas domésticas.
Outro aspecto relevante foram as ampliações de convênios e projetos selados com instituições nacionais e internacionais de fomento financeiro e de cooperação à pesquisa, entre os quais se destaca o Projeto Purdue, que promoveu mudanças e ampliações significativas na Uremg. Tratava-se de um projeto de colaboração entre a Purdue University e a Uremg, iniciado nos anos de 1950 e concretizado em 1958, que colaborou com a vinda de profissionais altamente capacitados, bem como a ida de professores para se especializarem nos Estados Unidos.

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Versus

  • Entidade coletiva

O jornal Versus começou como uma publicação essencialmente cultural, com a proposta, contudo, de entender a cultura como uma “ação política”. Foi lançado em São Paulo, inicialmente como bimestral. Seu diretor responsável era o jornalista gaúcho Marcos Faerman. Entre os participantes: Moacir Amâncio, Elifas Andreatto, Carlos Rangel, João Antônio, Luís Egypto, Cláudio Bojunga, Joca Pereira, Modesto Carone.

A trajetória do jornal aponta para os problemas e dificuldades da delicada relação entre cultura e esquerda. Entre o primeiro número, lançado em outubro de 1975, e o último, editado em outubro de 1979, a história do jornal traduziu a oposição entre, de um lado, intelectuais e jornalistas com projeto de uma publicação cultural, pluralista e inovadora em termos estéticos, e de outro, militantes organizados que viam o jornal como instrumento de luta política. Este confronto terminou por sepultar a publicação.

O jornal trazia grandes artigos e reportagens dedicados ao debate das novas teorias discutidas na Europa, naquela época: em especial as teses de filósofos como Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari. Valorizava a estética como manifestação política e a arte como um agente revolucionário. Nesse sentido, Versus procurava inovar, também, em sua apresentação visual. A ilustração, em suas páginas, não pretendia ser apenas o reforço de uma matéria. Ela seria um signo em si própria; algumas vezes, seria a própria matéria.

A América Latina — vivendo, em sua maioria, naqueles anos, sob ditaduras militares — era um dos temas mais importantes do jornal. Ela era vista como uma entidade unificada política e culturalmente. O jornal buscava contribuir para a criação de um sentimento de “latinidade” que marcou certos setores intelectuais e artísticos nos anos 1970. Além disso, foi responsável pela divulgação de inúmeros intelectuais latino-americanos no Brasil, publicando textos não apenas de nomes conhecidos como Julio Cortázar, Gabriel García Márquez, Jorge Luis Borges e Octavio Paz, mas, também, de autores de público mais restrito como Miguel Ángel Asturias, Carlos Fuentes e Ernesto Sábato.

O jornal fugia de uma compreensão da política como essencialmente partidária. Valorizava a política nos temas ligados ao comportamento, ao cotidiano, às relações pessoais, à estética e à sensibilidade. Artigos e reportagens denunciavam a repressão exercida sobres as mulheres, os loucos, os presos.

Nos seus dois primeiros anos de existência, Versus era um jornal vanguardista, entrosado com as novas correntes internacionais, voltado para o debate intelectual e estético e, essencialmente, pluralista. Buscando inovar tanto na forma como no conteúdo — afirmando, inclusive que, em muitos casos, a forma era o próprio conteúdo.

Esta foi a marca do jornal até o final do ano de 1977 — quando houve a entrada, na administração e na redação do jornal, de um contingente significativo de militantes da Convergência Socialista (tendência legal da organização clandestina de inspiração trotskista — Liga Operária). Este fato mudou inteiramente o tom do jornal. Versus passou a ser um jornal político, praticamente o órgão divulgador das posições da Convergência.

Antes desta transformação mais radical, ocorrida em 1977, já havia, no jornal, a presença de militantes políticos e de jornalistas de esquerda, muitos deles com alguma influência trotskista. Tratava-se, contudo, de uma influência teórica e não de uma vinculação orgânica. Versus representava, em seu projeto inicial, um ponto de vista de esquerda de crítica ao stalinismo e ao modelo soviético. Mas a sua transformação em órgão da Convergência Socialista o inseriu no quadro de um discurso mais doutrinário e dogmático. O jornal modificou sua aparência e seu conteúdo e os jornalistas ligados ao projeto inicial terminaram por se retirar. Como um jornal nitidamente político, Versus continuou saindo até meados de 1979, quando deixou de circular.
(Fonte: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/imprensa-alternativa)

Em Tempo

  • Entidade coletiva

Mais do que todos os outros jornais citados anteriormente, Em Tempo era, explicitamente, uma frente de organizações de esquerda. Dele participavam militantes do MEP (Movimento de Emancipação do Proletariado), da APML (Ação Popular Marxista Leninista), do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), da Polop (Política Operária) e de diferentes grupos de inspiração trotskista, tais como a Libelu (Liberdade e Luta), o grupo mineiro Centelha e o grupo gaúcho Nova Proposta. Estes dois últimos vieram a se juntar constituindo a organização Democracia Socialista (DS). Além dos militantes organizados ou influenciados por estas organizações, o jornal reunia ainda muitos jornalistas independentes egressos de experiências anteriores na imprensa alternativa. Em comum entre todas estas tendências, a perspectiva crítica em relação aos dois partidos comunistas mais tradicionais do Brasil (o PCB e o PCdoB) e à tática por eles preconizada de uma etapa democrático-burguesa (ou democrático-nacional) para a revolução brasileira. Em oposição a esta visão considerada “etapista”, Em Tempo pretendia reunir partidos, organizações e militantes que acreditassem na possibilidade de uma imediata revolução socialista no país.

O primeiro número foi lançado em São Paulo em janeiro de 1978 mas, antes dele, saíram três exemplares experimentais no final de 1977. No princípio teve como diretores Antônio de Pádua Prado Jr., Bernardo Kucinski, Jorge Batista, Roberto Aires, Tibério Canuto. E como editores: José Arrabal, Maria Rita Kehl, Sérgio Mateus e Carlos Tibúrcio. Tinha um vasto conselho editorial e administrativo do qual faziam parte, entre outros, Eder Sader, Sérgio Alli, Flávio Aguiar, Robson Aires, Flávio Andrade etc. Entre os redatores, José Veiga, Elvira Oliveira, Virgínia Pinheiro, Guido Mantega.

A luta política acirrada entre as diversas tendências e organizações que o compunham foi uma constante na dinâmica do jornal, que tinha seus impasses decididos em assembléias. A partir de 1979, Em Tempo também incorporou muitos exilados políticos que retornavam ao país (trazendo com eles novas tendências políticas como o grupo dos “autonomistas”, que propunham a autonomia do movimento operário em relação aos partidos políticos, mesmo aos de esquerda).

Como um jornal de frente, Em Tempo traduziu, em suas páginas, alguns dos principais conflitos entre as diversas correntes da esquerda brasileira. Mas não conseguiu manter este caráter plural durante muito tempo. A agudização destes conflitos levou a sucessivas crises que, paulatinamente, foram excluindo do jornal a variada gama de correntes políticas que o compunham. No início de 1980 Em Tempo tinha-se tornado um jornal de partido. Era um órgão da DS — o grupo trotskista Democracia Socialista.
(Fonte: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/imprensa-alternativa)

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